sexta-feira, 13 de março de 2009

Se não posso ser o par perfeito pra você...

Que sou muito musical todo mundo sabe.

E como músicas geralmente me remetem a um lugar, uma pessoa ou um momento, a dica musical da semana é Wonkavision e a música deles que mais me chamou a atenção desde que conheci a banda.

Na verdade esse som não me lembra nada, mas me remete a domingos nublados de inverno caminhando pelo Bomfim. Não sei por que, nem sei explicar - pode ser uma associação totalmente particular - mas quem precisa explicar o impacto da arte?

Além disso ela lembra muito uma fase em que ainda insistia em uma pessoa.  Hoje decidi não insistir mais (nem na pessoa, nem no que eu imaginei que ela poderia representar para mim).



Também é fato que ando sentindo tremendamente a falta de tempo em escrever aqui, e justamente em uma época tão rica em ideias, mas são tempos de muitas obrigações terráqueas e acadêmicas.

Mas uma coisa é fato: os últimos tempos têm sido ricos também em motivos para beber.
Beber para olvidar, para comemorar, para relaxar, para conversar.

Por isso depois de ouvir essa música, só resta tomar uma cervejinha com amigos em um pub irlandês. E pub irlandês lembra inverno. E essa música lembra inverno.
Definitivamente não vejo a hora de puxar um casaco do roupeiro!

sábado, 7 de março de 2009

Boas notícias em uma sexta-feira

Hoje ("ontem", pois o post caiu depois da meia-noite) duas notícias boas chegaram no e-mail corporativo.
A primeira dizia que o bônus anual tinha sido creditado para os funcionários - o que vai aliviar um pouco das dívidas, mas a segunda foi a mais gratificante: mensagem do chefe avisando que ninguém da equipe precisaria trabalhar nesse final-de-semana. Para quem vem desde o carnaval trabalhando direto sábados, domingos, noites adentro e tal, foi um alívio!

Especialmente porque nessa semana iniciaram-se as aulas na faculdade, e estou encarando 6 cadeiras em horários bem alternativos. De manhã cedo, à noite, sábado, vale tudo na corrida para a formatura (que ainda assim está longe!). Mas há muitos sonhos pós-graduação esperando por mim, não dá mais para adiar!

Então daqui para diante serão menos horas de sono, muita leitura, as mesmas 9 horas de trabalho por dia (no mínimo), e alguns choppes para não enlouquecer!

Talvez pelo cansaço acumulado e o desejo de dormir tranquila eu nem tenha me preocupado com o bolo que levei para uma cervejinha depois da aula dessa sexta. Teria sido legal, mas tudo que depende de mais de uma pessoa para se realizar tem uma probabilidade de não rolar, né?

Obs.: participação especial da Rê - de quem roubei a imagem - heh!

terça-feira, 3 de março de 2009

O que te leva ao teu passado?

Dia desses tive de atravessar o centro da cidade à pé durante o horário de almoço a fim de resolver um assuntinho pessoal. Trabalho no lado do centro conhecido como "centro cultural" - onde ficam a CCMQ, os museus, cinemas e algumas grandes empresas - e para chegar até o centro popular é preciso atravessar um largo famosíssimo na cidade pela diversidade de manifestações culturais que reúne.

Pois bem, enquanto passava pelo largo na frente do Mercado Público, passei a observar o pastor evangélico que pregava munido de uma Bíblia em uma mão e um microfone na outra; os já conhecidos índios que para mim parecem ter saído de um filme americano de faroeste (ninguém me tira da cabeça que são índios apaches, com aqueles cocares imensos!) tocando suas flautas; os vendedores ambulantes cegos que vendem bilhetes de loteria; os meninos de rua à espreita de um passante distraído para bater-lhe a carteira...

Entretanto o que me chamou a atenção efetivamente foi um casal de velhinhos pilchados, onde o senhor puxava sua gaita com muita destreza e a esposa cantava em alto e bom som, sem microfone nem nada, uma música gaúcha muito antiga. Enquanto eu ia caminhando a melodia ia me acompanhando, trazendo uma sensação ao mesmo tempo muito estranha e extremamente boa: sensação de volta pra casa!

Há muitos anos tenho vivido em um universo mais hightech, globalizado, corporativo, underground, electrorock. Vivo em um bairro assumidamente boêmio e universitário, tenho visto cada vez menos minha família, conheci muita gente e alguns lugares que sonhava ver de perto e, principalmente, passei a ouvir o ponto de vista de várias tribos (e absorver aqueles com os quais me identifiquei). No meio desse turbilhão de novos conceitos é fácil perder as origens. Não me diga você que mantém suas convicções intactas mesmo em um cenário como o que descrevi. É humanamente impossível não ser moldado pelo universo onde se imergiu! E seria um defeito, inclusive, pois toda teimosia exagerada é na verdade um escudo contra o mundo. Não devemos nos defender do mundo, e sim vivê-lo!

Mas voltando aos velhinhos do largo do Mercado e à sensação que me provocaram, o que quero dizer é que ouvir o gaitaço meio melancólico me fez lembrar da infância em família (que veio da serra e vivia junto ao campo, totalmente interiorana).
As brincadeiras com os primos quase sempre tinham como trilha sonora a vanera e a milonga que tocava no radinho dos meus tios. Sempre alguns casais arrastavam as cadeiras para dançar e fazia-se o arrasta-pé, com uma churrascada forte garantida pelos homens da casa. E as nossas brincadeiras eram correndo na rua, jogando bola, empurrando carrinho de rolimã, arco e flecha (não, eu não gostava muito de brincadeiras de menina e acho que isso explica o porquê de eu me dar tão bem trabalhando com homens hoje).
Enfim, era uma infância simples, prazerosa, animada e bem bairrista. Bem diferente da vidinha adulta e diferente também do rumo que os outros integrantes da família tomaram.
Eles de modo geral seguiram o caminho da geração passada: poucos estudaram, a maioria vive de serviços, casaram cedo, tiveram filhos antes do que deveriam, muitos não conhecem nada que esteja além do rio Mampituba ou do Chuí. Se não tivesse feito as escolhas certas através da influência certa das pessoas certas, eu poderia ter trilhado o mesmo caminho limitado.

Por isso agradeço a uma amiga do passado que me carregou para um curso técnico de gestão onde só fiz um semestre (histórias inacabadas, lembram?) mas onde conheci um amigo-rolinho que me pilhou a estudar Sistemas de Informação, onde fiz muitos dos amigos que trago comigo até hoje e que definiu minha carreira. E a lista de agradecimentos seria bem mais longa, se esse fosse o objetivo do post. Os acontecimentos foram encadeados e recheados de pessoas essenciais no processo.

De toda forma sou grata a todos (Todos, com letra maiúscula e divina) por ter chegado até aqui. Não posso agradecer pelo futuro que vislumbro porque simplesmente tenho um bloqueio e não sei projetá-lo, mas também sou grata aos velhinhos do centro da cidade pelo momento nostálgico que me proporcionaram. E por me fazerem ver que essas lembranças são boas, mas são de um passado do qual me libertei. Um passado que não me pertence mais.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Zeca lê minha mente

Dica musical do dia é Zeca Baleiro. Ao invés do vídeo, o que vale aqui é a letra. Per-fei-ti-nha!
Nem vou me estender, mas seguramente ela poderia ter sido escrita por mim.
Voilà:

Você não liga pra mim, mas eu ligo
Você nunca fica só
O celular é o seu melhor amigo

Te convidei prum chopp no bar
Você me disse: não, nem pensar!
Que que eu posso fazer pra você me notar?
Você não crê em amor nem paixão
Faz pouco caso do meu coração
Você quer ver o meu fim
Não diz que sim
Também não diz que não

Eu ligo o rádio pra te esquecer
Mas tudo ali me lembra você
Também vou fazer canções de amor pra vender
Igual a mim quanto trouxa que tem
Que se apaixona e chora também
Você quer ser o meu mal
Mas sabe que podia ser meu bem

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Entrei Vicky e saí Cristina

Há algumas semanas estava tentada a assistir ao último filme de Woody Allen. Sabendo que as críticas à obra não são muito favoráveis, mas ciente de que um bom filme é aquele que lhe move o coração, fui conferir o que era uma certeza desde quando li a sinopse do longa: na galeria de tipos que Woody traz eu era Vicky, sem sombra de dúvidas. Entrei na sala de cinema disposta a ouvir o que ela tinha a dizer sobre o amor.

Qual não foi minha surpresa quando já nos primeiros vinte minutos de história me vi em Cristina. Indefinida, inconformada com os padrões social-afetivos, inquieta e inconstante. In, in, in. Negação até a última ponta dos fios de cabelo loiríssimos. Ok, apenas nesse ponto ela não sou eu.

Enquanto Vicky casou-se com um executivo de vida preta-e-branca novaiorquina, mesmo tendo sido irreversivelmente sacudida por uma aventura catalã, percebia o quanto essa não é a esperança que tenho para um relacionamento. A cor de Barcelona, a spanish guitar das noites de verão, o ar bucólico das casas, o senso estético e a displicência do artista, a quebra de paradigmas que a mente livre proporciona... são ideias que me atraem, em detrimento do futuro predefinido que um homem de carreira tradicional ofereceria.

Tudo bem que ganhar de brinde uma ex-esposa desequilibrada não é nada bom. Muito menos encarar um relacionamento com ela, até porque como costumo dizer, "qualquer coisa entre duas pessoas e quatro paredes é válida; mais pessoas ou menos paredes, estou fora". Mas confesso que o grau de entrega de Cristina à nova experiência com um sedutor espanhol quase desconhecido me remexeu a alma.

E o fato de essa história ter sido rodada em Barcelona é um atributo à parte. Qualquer filme cujo pano de fundo seja a Europa me ganha nas primeiras cenas!
Ainda acredito que Deus me jogou no mundo na época errada e no continente errado.

Em resumo: recomendo Vicky Cristina Barcelona.
Preferencialmente saboreado com um bom vinho, que foi do que senti falta no cinema hoje!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

The Blacklist

Ou "Aprendendo com as viajadas próprias e alheias"

• Jamais esperar que as pessoas compreendam mensagens implícitas. Se você deseja transmitir algo com suas atitudes, aborte a ideia. Transmita com palavras, e com assertividade.

• Afogar as mágoas em uma barra de chocolate (substitua aqui por qualquer alimento que lhe seduza) é efeito borboleta na certa. Pequena dose de contentamento imediato que resultará em uma gigantesca preocupação com o corpitcho que será implacavelmente atacado por moléculas afoitas por fazer seu trabalho de rechear os cantinhos. Sem ser chata: coma uma insossa fruta. Sua consciência ficará de cara amarrada, mas no fundo agradecerá!

• Prometer liquidar o cartão de crédito e viver com o dinheiro que ganha, e três dias depois comprar todos os perfumes e cremes que estava precisando parcelados no cartão é no mínimo desamor com o próprio sono.

• Não enviar torpedos maliciosos no meio da madrugada. A probabilidade de eles caírem no limbo das operadoras de telefonia ou do sono do destinatário é considerável.

• Gastar o tempo livre na frente do computador procurando aleatoriedades (geralmente em redes sociais, blogs, cotidiano) ao invés de estudar profissional ou academicamente significa jogar no lixo as poucas horas livres. E ganhar uma culpinha extra quando finalmente você se dá conta de que essas horas perdidas... não voltam!

• Não colocar a culpa na bebida pelas idiotices que você faz por aí. Primeiro porque não cola; segundo porque essas idiotices para você podem "ser esquecidas", mas para seus amigos elas provavelmente serão bem prejudiciais.

• Decididamente não gastar tempo pensando subjetivamente durante o explosivo período da TPM. O entendimento é distorcido, as intenções sempre são as piores, a incompreensão é generalizada e aquelas moléculas lá do segundo tópico estão mais solícitas do que nunca.

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Coisas que mudam no período de um ano

Hoje é sexta-feira de carnaval.
Apesar de eu trabalhar em uma empresa de mídia digital que já está cobrindo a folia carnavalesca nas principais cidades do Brasil, transmitindo circuitos de Salvador, desfiles cariocas e paulistas e tal tal tal, não consigo me sentir no clima "esquindô esquindô" que toma conta de quase todo mundo em fevereiro. Pode ser porque os últimos dias têm sido de muito trabalho, ou porque tive questões mais sérias para resolver nesse mês, mas o fato é que ficar na cidade no feriadão soa como a melhor das alternativas.

E isso me fez pensar o quanto mudamos de um ano para o outro. No carnaval do ano passado botei pilha em duas amigas para irmos para o Rio praticamente em cima da hora. Isso resultou em um apart superfaturado e uma viagem no sábado de carnaval que tomou praticamente metade do dia - sendo que o tempo total da volta foi 4 horas de dentro do apart em Copacabana para dentro da minha ex-casa em Canoas.
Já esse ano não quero nem ouvir marchinhas típicas (ano passado fomos até no tradicional baile de gala do Scala). Tanto que a única noite que estou combinando com amigos é uma festinha rock underground no Beco. Manifesto contra o grito de carnaval? Não... apenas acredito que não vale a pena entrar num clima que não me deixa mais à vontade. E acredito também que a alegria carnavalesca é tão artificial, tão fabricada pela mídia, que se perder em 4 dias na folia não passa de uma fuga.

E sou contra fugir de qualquer coisa.

Em muitos outros aspectos percebo a mudança que um ano fez em minha vida. Aprendi a ser mais responsável comigo mesma, com meu dinheiro, com as pessoas à minha volta.
Deixei de lado uma certa inocência que ainda tinha. Inocência não é a palavra: deixei de cultivar na verdade a bondade que já foi minha mais visível característica. Não que hoje seja uma pessoa má e egoísta, entretanto descobri que é essencial mensurar o quanto se doar por alguém poderá ferir a minha auto-estima, e que se isso ocorrer, dificilmente a pessoa por quem me doei perceberá. E mais dificilmente ainda ela, percebendo, fará algo para me reconstruir.
Foi um aprendizado doloroso, e como qualquer ferida que, cicatrizando, torna a área atingida mais áspera e endurecida, foi assim que "venci" essa etapa. Mais endurecida. Menos sentimental. Um pouco menos crente na reciprocidade humana.
Sob esse aspecto uma das metas para esse ano é reconquistar um pouco da pureza de espírito.

As pessoas que fazem parte da vida da gente também mudam em um ano. Por exemplo, uma das amigas com quem viajei no carnaval passado não está mais próxima de mim. Porém, como não é a primeira vez que isso ocorre e o motivo é recorrente, não há o que se possa fazer.

Bom, o negócio é curtir um feriadão muito rock'n roll, como diz o Leo, e não entrar na vibe de que depois do carnaval é que o ano vai começar de verdade.
Tolice de quem pensa assim e perde 2 preciosos meses da vida!
O ano começou com tudo logo após o reveillon e já tenho muita história pra contar!

Post escrito ao som de psytrance, que me ajuda a concentrar no trabalho.